sexta-feira, 22 de agosto de 2008

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Maria Jania Teixeira
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TU E EU
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A luz de uma estrela única
Brilha na noite alegre,
Na centelha do teu olhar,
E se reflete dentro de mim.
Ai, ardente paixão!
Amanhã será um dia novo,
Sem saudade do ontem.
Apenas desejando o depois.
Sonho em ti, amor.
Tuas mãos feitas de procura
Tocam-me o corpo com ternura.
Vejo-te através da névoa,
Vieste, amor,
Enfim vieste até mim.
Cruzaste o portal de ti mesma
E seguiste esta vereda
Que te trouxe até mim.
Agora não estamos mais sós
Dentro de muros frios.
Somos tu e eu...
Tão perto o nós!
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VIDENTE DA DOR
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Não serei eu a te falar
Em espaço sideral,
Em lua cheia e bola de cristal.
Não conheço as linhas das mãos,
Não conheço premonições,
Não acredito em milagres,
Nem também em superstições.
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Não serei eu a te falar
Em coisas transcendentais,
Mistérios e segredos orientais.
Nada entendo de baralhos,
Magias, búzios e sonhos celestiais.
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Mas eu te falarei sobre essas marcas
Que trago no meu rosto esquálido,
Tão vívidas, profundas e reais!
Marcas de sofrimento e dor.
Marcas que expressam em vida
O quadro de quem muito amou.
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ESSÊNCIA
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Dizes que o belo te seduz.
Queres o belo
E o resto pouco te importa.
Mas tu não sabes
que o belo
sem nenhuma essência
é vida sem vida?
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Tu não percebes,
mas o belo
sem essência
não tem sentido.
E o feio
tem sentido
na medida
que se vê
sua essência.
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RENASCER
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Quando tudo for escuridão
E nem uma réstia de luz puder ser vista
Quando tudo for silêncio profundo
E não se puder ouvir o ciciar das folhas
Quando mais nada tiver
Para ser dito e explicado
Quando todos os olhos fecharem
Todas as bocas calarem
Quando a esperança for sepultada
E além do horizonte
Nenhum arco-íris for reconhecido
Quando tudo morrer...
Então será preciso recomeçar
Dar-se ao infinito
E renascer...
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OFERENDA II
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Pediste-me uma oferta,
uma dádiva...
Dei-te flores silvestres,
perfumadase delicadas.
Dei-te sonhos de castelos
encantados,
com vassalos e rainha.
Dei-te sorrisos e atavios
os mais belos
e meigos que tinha.
E não quisestes.
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Doei-me inteira, então,
Feita só de coração;
Mesmo assim, ainda dizes
que não é suficiente.
O que mais posso oferecer?
Um poeta só tem sonhos,
O que mais podes querer?
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REENCONTRO
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Quando nos encontrarmos
Outra vez
Não sei o que te direi
Nem o que sentirei...
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Não sei como me receberás.
Talvez não falemos nada,
Seremos só olhos e coração.
E o que tivermos para dizer
Ficará palpitando no peito,
Feito um furacão.
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NEM ME LEMBRO MAIS
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Tinha as mãos repletas de ternura
Tão ansiosas pra te amar
Tinha os braços vazios
Tão sedentos pra te abraçar
Você não saberá jamais
O quanto tinha esperado por ti
O quanto tinha sonhado em ti
Por um segundo ou uma vida inteira
Nem me lembro mais
Tinha a alma repleta de ternura
Tão louca pra te encontrar
Tinha a boca assim sedenta
Tão ansiosa pra te beijar
Você não saberá jamais
O valor do bem que eu te tive
Todo um século, todo um momento!
Um tempo maior do que uma rosa vive
Nem me lembro mais!
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CONCHAS E SONHOS
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Não vou mais catar conchas pra você
Outra pessoa o fará no meu lugar:
Conchas pequenas e grandes
Coloridas e translúcidas,
Onde você poderia escutar o som do mar.
Não vou mais catar sonhos pra você
Outra pessoa o fará no meu lugar:
Sonhos coloridos e dourados,
Tão cheios de caminhos e encantos.
Agora, quando a luz da lua minguante,
Banhar-me a alma extenuada,
E as algas roçarem meus pés descalços;
Eu saberei que é melhor
Seguir sozinha na noite nua e estagnada
Do que acompanhar enganada
A trilha dos teus passos...
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Sou a quarta filha de uma família de seis filhos, nasci e cresci em uma cidade do Ceará, chamada Itapipoca, nome indígena que significa "pedra lascada, partida". Meu pai era farmacêutico, e como ele havia decidido que eu seria a próxima farmacêutica da família, quando eu não estava estudando ou brincando, estava por trás dos velhos balcões de sua farmácia, bebendo avidamente de sua sabedoria e sonhando ser como ele. Amava o ambiente da farmácia e a idéia de seguir a carreira de farmacêutica sempre foi muito óbvia para mim. No momento certo, eu e meus irmãos mais velhos fomos estudar na capital, Fortaleza. Fiz farmácia, me especializei em análises clínicas, mas algo muito forte me aconteceu nos últimos anos de faculdade - eu fui apresentada a pesquisa e por ela fiquei completamenteapaixonada. Ao terminar meu curso de farmácia achei que precisava trabalhar um tempo com meu pai na farmácia, eu queria ter essa experiência ao lado dele, dessa vez com mais formação e mais preparada, embora eu soubesse que era apenas temporário.
Ao mesmo tempo não abandonei a pesquisa, continuei fazendo trabalho dentro da área que eu adoro, a imunoparasitologia. Por 5 anos tive meus dois amores e lidava bem com os dois. Mas então chegou o dia que tive que tomar a decisão de escolher apenas um dos amores, e escolhi minha paixão maior, a pesquisa. Meu pai entendeu e aceitou, o que me confortou muito. Voltei para Fortaleza e desta vez para fazer Mestrado, Doutorado e seguir definitivamente uma carreira acadêmica. Durante este período de formação acadêmica, a poesia esteve trancada dentro de mim, como um Ícaro prisioneiro, eu a sentia lá, mas não estava ainda pronta para deixá-la sair outra vez. Agora, tenho-a de volta, liberta, outra vez dona de si mesma. Minha poesia é, em primeiro lugar, o fruto de sentimentos humanos transformados em versos. Talvez não haja sinais de renovação ou inquietação neles, como seria o esperado em uma poetisa estreante, porém, o que de fato espero é que meus versos tornem-se capazes de resistir a leituras seguidas e não se percam no tempo, como folhas mortas de outono.
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Sylvia

Fique a vontade para utilizar meus poemas em seu blog, será uma grata satisfação para mim.
Sempre fico muito feliz quando vejo que o que escrevo tem um real significado não só para mim mas para outras pessoas.
Fico-lhe grata pela consideração.
Depois dou uma passada em seu blog.
Abraço

M. Jania Teixeira

domingo, 17 de agosto de 2008



Poemas da Madrugada

Ceará: terra do sol, do amor e da poesia!


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Pedro Lyra
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XXXVI

Dois infelizes

sim

dois infelizes

por ter forçado o amor

sem perceber

esta aporia

eterna e dupla:

amar

aquele por quem se é amado

e ser

amado por aquele a quem se ama.
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Isso transcende

à condição de amante,

à própria condição humana:

esta

não inclui
entre as suas concessões
a concreção dos sonhos mais perfeitos.
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Condenado ao desejo
não há chance
de nos cumprirmos como o desejamos.
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Basta amar
- e é impossível ser feliz:
porque o amor
porque é amor
não pode
unir amantes
num casal
pra sempre.
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XXXVIII
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A essência material do ser humano
emerge pura
em chaga ou euforia.
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Vem do fundo do ser
mas
ao contrário
de solidificar-se
liquefaz-se
quando se ama.
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É o próprio ser dos entes
que escorre
pelas faces
pelas coxas
e ao atingir o amante
se transfunde
impregnando o eu do eu do outro.
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E bebi o teu pranto:
estás em mim.
Sorveste o meu esperma:
estou em ti.
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Foi tanto no mais dentro de nós mesmos
que não é mais possível erradicá-lo.
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E seguiremos mistos
contra os egos
cravados um no outro
sobre os outros.
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XXXIX
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Enfrento a noite.
Um astro luz
alheio.
Julgo que há também lá
alguém que pulsa
mas não sofre
pensando no teu corpo.
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E por que eu?
E justamente tu?
Porque
ao penetrar-te tanto
e tanto
tanto deixei em ti da minha essência
que se te negas
privas-me
de mim
e se te tocam
é a mim que ferem.
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E enquanto sofro isto
ao constatá-lo
evoco os que te topam pela rua
e seguem
sem a mínima influência.
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Por que não eu, também?
Basta querer
pois não preciso te extrair de mim
mas o contrário:
- me extrair de ti.
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. Adriano Espínola
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DOMINGO

Há sempre uma viagem que não fazemos. Há sempre uma fresta entre os minutos por onde irrompe o inesperado. Há sempre um agora, buscando no passado o seu futuro. E, sobretudo, há sempre o ardil do instante com suas pontes apodrecidas.

Há sempre uma serpente repentina que se enrosca no meu pulso. Há sempre um vento chegando com suas vestes visionárias. Há sempre árvores que se ajoelham, resignadas, ao sol. Há na praia, sempre, os milênios que se debruçam. E há o sol da manhã. E a tristeza vespertina de corpos se tocando.

No domingo, há sempre em mim um remorso flamejante; uma estátua que chora à beira-mágoa; um mendigo que celebra as feridas sazonadas; um bêbado com o hálito do poente. E um velho que delira ante as pegadas do silêncio.

Domingo de missas e messes abandonadas. Domingo de cemitérios alados e chuvas marinhas. Domingo dos afogados. Domingo de pássaros sedentos. Domingo do outro, penetrando em mim.

Domingo, absurdamente domingo.
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PRAIA

Aqui contemplas o horizonte e o verão madurando a carne. A maresia não vem do oceano, mas da maré dos instantes. Tudo é impuro enquanto vivemos. E teu corpo é esta enseada que se abre às minhas mãos trespassadas de algas e solidões vencidas.

Vencidas? Conquistadas. Porque vivemos não do que sabemos, mas do que sonhamos. Viver é aportar a cada dia à beira de uma praia ou de um corpo.

Aqui tens a areia e o verde abismo em frente para enlaçar tua cintura vertiginosa. Há relâmpagos e silêncios sobre a tua pele que alumiam a minha boca amanhecida. Sei que há tormentas. Naufrágios. Ressurgências. E que teu corpo é essa praia que se estende – provisória – para mim.

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Eduardo Pragmácio

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DISFARCES
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A busca
incessante
dessa perfeição
mutante
nada mais
importa.
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A porta é sempre
(entre)aberta
e quase atinge
o céu
para aqueles que
(ar)riscam
o papel.
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A angústia,
filha primogênita
da dúvida,
é um dos disfarces
da busca.
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POSSIBILIDADES
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Um cardápio de sonhos
aberto sobre a mesa
redonda e invisível,
onde o alimento é palavra,
possível chão ou precipício.
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A escolha é dolorosa
e dela parte uma distância insalubre.
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É como flutuar
sobre um mar de medos
e espera da queda.
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É onde os pés afundam,
nas dunas
— que se movem na palidez
dos ventos.
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Eduardo Pragmácio de Lavor Telles Filho é poeta e advogado cearense.

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Floriano Martins

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ALGURES UM MAPA

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Quantas serão as migalhas do espírito,
quando este mal soletra seus extravios?
Um bocado de nada, quanto lhe custa?
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Quantas vezes suportará o desatino de ser
tão excessivamente nada entre escombros?
Qual preço em cada agulha que o desfia?
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Uma vez que empalidece o mapa da ilusão,
já não reconhece um vestígio próprio.
De tanto olhar para si, quantos vê ainda?
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Será deste modo que se esvai, tão líquido?
Quem quer que encontre durante a queda,
com nenhum contará que o defenda de si.
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Estará sempre em débito com os espelhos,
as imagens se despedaçando a cada lustre.
Que importa quantas eram um minuto antes?
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Ao levar as mãos aos olhos quanto repinta
do que até então nem presume haver perdido?
Saberia se desfazer do que ainda não teve?
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Quanto escavará a lembrança e a ambição,
sem distinguir a qual cova mais se dedique?
Ao roer as vozes que o cercam, apenas cinzas.
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Formas arrastadas para o limite do ilegível.
Onde pouso a mão sem que me escapes , diz.
E já quase nada mais dizia, limitado à queda.
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Planejaria tornar a cada espelho submerso,
para refazer-se da imagem mal vislumbrada?
Quanto lhe custaria em naufrágios, interessa?
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Corpos da ilusão imersos em água salgada,
como rios atormentados por um ritual.
Quantas vezes não somos senão o que fomos?
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Algures um deus, um menino travesso, luz
queimada em plena ilustração do espírito.
Quanto custa percorrer a dor inteira?
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O que mais revira o ser que seu reverso?
Uma grande língua que vare toda a vida,
e que nos fale o que temos de mais íntimo.
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Cair na traquinagem do tempo ou do espaço,
eis como ceder à arte de matar o espírito.
Quanto de mim deposito na conta do viver?
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Em comum, os escrúpulos da inocência
e as suspeitas de crime, o que têm?
Decaído o espírito flerta com vagos perfis.
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Quem sabe o peso do vazio e seu destino,
calcule a tarifa da postagem e lamba
o selo como o espinhaço do infortúnio.
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O que subscrevo quando me livro de mim?
Para onde vou se observo o mar caindo
por toda parte e tudo é rio desmoronado?
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Esticar o limite do fim até que rebente.
Que a ilusão não tenha sossego e se rompa,
como a esperança arruinada por capricho.
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Quantas as migalhas vagando pelo bosque,
desencontradas do que já nem fantasiam,
o espírito encalhado em conjecturas?
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Um rosário de quedas, a que preço?
Qual transparência suporta uma noite
de sono bem acomodada em si mesma?
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As imagens se retorcem, feito uma chama
dentro do fogo. Um pássaro diz-se outro
ao desfazer-se de suas asas carbonizadas.
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Como reter a escrita de um espírito findo?
Por onde cai salpica labirintos e ressurge
e, ósseo, volta a morrer por toda parte.
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Desfazer-se da neblina, da areia, dos golpes
do desejo lavrados na pele da prudência,
custa mais caro que a insônia, quem banca?
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Quanto se pede pelo enredo da semelhança?
Dívida assim não se paga em vida. Deus
algum cobraria tão pouco por seus mortos.
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A vida é excessivamente nula do que somos,
e revela-se na dor que desferimos contra
o espelho, quebra, guarda, nenhum desconto.
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Floriano Martins (Fortaleza, 1957) - Poeta, editor, ensaísta e tradutor.
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José Alcides Pinto ( 1923-2008)
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EU
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Eu sou eu: íntegro e inviolável dentro
de mim mesmo.
O que não se descobre. Anônimo sob
minha própria espinha.
Atual em minha sombra incorpórea, sem
faltar um só de meus gestos físicos.
Eu sou eu. O fantasma de preto escanchado
no arame do quintal,
sob a sombra das árvores e sob a
sombra da lua
misteriosamente colhendo o silêncio com
as mãos invisíveis e
tecendo uma mortalha com o nó dos dedos
para vestir o próprio corpo.
Eu sou eu. O retrato destituído de vida.
O gesto estático.
O que está no limiar e afogado no abismo.
O que anda vestido e nu, sendo louco e poeta.
Eu sou eu e sozinho. Diverso sobre mim
e sob eu mesmo.
Oculto e visível como a lua caída no poço.
Proclamado como o homem dentro da praça,
no meeting,
sacudindo com os gestos da boca palavras
secas nos olhos da multidão.
Intocável e impossível como o que não se
conhece e não morre.

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NOSSO AMOR
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O amor está no arco-íris e no fim da tarde.
Está no teu olhar e nos cabelos negros
que às vezes se enrolam como tranças
e me prendem ao teu corpo como um feitiço.
O amor está no eclipse do sol e no meio da rua.
N a madrugada, no vento, na chuva, no vôo da ave
perdida na tempestade à procura do ninho.
O amor está em mim e em ti, em nossa pele
como grafite no muro que o tempo não apaga.
Está no pergaminho de nossas mãos.
N o primeiro olhar e no primeiro beijo que me deste.
Está no perfume da flor, na música das estrelas.
Em nossos corpos unidos na agonia do sexo.

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JOSÉ HÉLDER DE SOUZA
(1931 — 2004)

SONETO DA DESPEDIDA
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Morto serei na hora em que já não houver
nascido a rosa clara da alvorada.
E neste tempo, a roupa que eu vestir
será solene como a cor da noite.
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Tu, então, ó minha amada branca,
sê alegre como foras dantes
pois este fato não merece luto,
posto que muito triste e vaga foi
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a vida do poeta que amaste.
Morto, só restarão de mim meus versos
que valem só porque contêm teu nome.
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E basta então que em memória minha
a rosa clara da alvorada colhas
e com ela faças meu epitáfio triste.
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ÚLTIMO TRANSE
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Eu
sou eu e sou muitos.
Acumulei vidas, enriqueci-me de saudades.
Longas estradas me trouxeram.
No percurso marquei os acidentes:
cerros, vales, campinas, o mar,
o mar, encapelado ou liso, azul ou verde,
os rios, os córregos, as simples grotas,
as lagoas verdoengas e, mais ainda,
o homem, o homem a trafegar:
o que subia o monte… o que descia o rio na canoa,
o que amainava a terra, o marinheiro e o pescador,
o que tudo olhava e só olhava,
o que sofria a sua e as dores dos outros.
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Quando aprendia a percebê-los e a inscrevê-los,
o homem, a pedra, a campina,
o mar e o barco a singrá-lo,
me vi na outra margem, sem barca, sem marujo,
passado pelo tempo, sem volta, em transe,
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o último.

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Querido mestre, Professor Hélder, meu diretor do Colégio
Estadual Presidente Castelo Branco, em Fortaleza,
obrigada
pelo trabalho sério e competente.
Obrigada
por ter contribuído para a
formação de muitos jovens
do meu Ceará.
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

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DULCE MARÍA LOYNAZ
(1903 – 1997)
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Si me quieres, quiéreme entera,
no por zonas de luz o sombra..
Si me quieres, quiéreme negra
y blanca. Y gris, y verde, y rubia,
y morena...
Quiéreme día,quiéreme noche...
¡Y madrugada en la ventana abierta!
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Si me quieres, no me recortes:
¡Quiéreme toda... O no me quieras!
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Yo soñaba en clasificar
el Bien y el Mal, como los sabios
clasifican las mariposas:
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Yo sonaba en clavar el Bien y el Mal
en el obscuro terciopelo
de una vitrina de cristal...
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Debajo de la mariposa
blanca, un letrero que dijera: "EL BIEN".
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Debajo de la mariposa
negra, un letrero que dijera: "EL MAL".
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Pero la mariposa blanca
no era el bien, ni la mariposa negra
era el mal... ¡Y entre mis dos mariposas,
volaban verdes, áureas, infinitas,
todas las mariposas de la tierra!...
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Hueles a rosa y se te abre en rosa
toda el alma rosada:
¿De qué rosal celeste desprendida
viniste a rozar, Rosa, mi alma?
Rosa, lento rosario de perfumes...
Rosa tú eres... Y una rosa larga
que durara mañana y después de
mañana...
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SI FUERA NADA MÁS...
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Si fuera nada más que una
sombra sin sombras; que una intima
tiniebla de dentro para fuera...
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Si fuera-nada más-la misma
tiniebla de hoy... O la de ayer,
o la de todos los días...
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Y ninguna cosa más honda
ni más ardiente ni más fría.
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Si fuera como el retorno de un viaje
cansado..., un encontrar la antigua
casa, la olvidada almohada
que más blanda parecería...
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Si ni siquiera fuera almohada
ni casa ni sombra ni vía
de retorno o de fuga, ni
miel que recoger, ni acíbar...
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Si sólo fuera-al fin...-un breve
reintegrarse a la nada tibia...
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EL AMOR INDECISO
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Un amor indeciso se ha acercado a mi puerta...
Y no pasa; y se queda frente a la puerta abierta.
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Yo le digo al amor: -¿Que te trae a mi casa?
Y el amor no responde, no saluda, no pasa...
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Es un amor pequeño que perdió su camino:
Venía ya la noche... Y con la noche vino.
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¡Qué amor tan pequeñito para andar con la sombra!...
¿Qué palabra no dice, qué nombre no me nombra?...
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¿Qué deja ir o espera? ¿Qué paisaje apretado
se le quedó en el fondo de los ojos cerrado?
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Este amor nada dice... Este amor nada sabe:
Es del color del viento, de la huella que un ave
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deja en el viento... -Amor semi-despierto, tienes
los ojos neblinosos aun de Lázaro... Vienes
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de una sombra a otra sombra con los pasos trocados
de los ebrios, los locos... ¡Y los resucitados!
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Extraño amor sin rumbo que me gana y me pierde,
que huele las naranjas y que las rosas muerde...,
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Que todo lo confunde, lo deja... ¡Y no lo deja!
Que esconde estrellas nuevas en la ceniza vieja...
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Y no sabe morir ni vivir: Y no sabe
que el mañana es tan sólo el hoy muerto... El cadáver
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futuro de este hoy claro, de esta hora cierta...
Un amor indeciso se ha dormido a mi puerta...
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Hombre que me besas,
hay humo en tus labios.
Hombre que me ciñes,
viento hay en tus brazos.
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Cerraste el camino,
yo seguí de largo;
alzaste una torre,
yo seguí cantando...
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Cavaste la tierra,
yo pasé despacio...
Levantaste un muro
¡Yo me fui volando!...
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Tu tienes la flecha:
yo tengo el espacio;
tu mano es de acero
y mi pie es de raso...
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Mano que sujeta,
pie que escapa blando...
¡Flecha que se tira!...
(El espacio es ancho...)
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Soy lo que no queda
ni vuelve. Soy algo
que disuelto en todo
no está en ningún lado...
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Me pierdo en lo oscuro,
me pierdo en lo claro,
en cada minuto
que pasa... En tus manos.
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Humo que se crece,
humo fino y largo,
crecido y ya roto
sobre un cielo pálido...
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Hombre que me besas,
tu beso es en vano...
Hombre que me cines:
¡Nada hay en tus brazos!
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Amor que llegas tarde,
tráeme al menos la paz:
Amor de atardecer, ¿por qué extraviado
camino llegas a mi soledad?
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Amor que me has buscado sin buscarte,
no sé qué vale más:
la palabra que vas a decirme
o la que yo no digo ya...
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Amor... ¿No sientes frío? Soy la luna:
Tengo la muerte blanca y la verdad
lejana... -No me des tus rosas frescas;
soy grave para rosas. Dame el mar...
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Amor que llegas tarde, no me viste
ayer cuando cantaba en el trigal...
Amor de mi silencio y mi cansancio,
hoy no me hagas llorar.
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Para el amor más olvidado
cantaré esta canción:
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No para el que humedece los ojos todavía...
Ni para el que hace ya
sonreír con un poco de emoción...
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Canto para el amor sin llanto
y sin risa;
el que no tiene una rosa seca
ni unas cartas atadas con una cinta.
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Sería algún amor de niño acaso...
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Una plaza gris... Una nube... No sé...
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Para el amor más olvidado .
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Cantaré una canción
sin llamar, sin llorar, sin saber...cantaré
El nombre que no se recuerda
pudo tener dulzura:
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Canción sin nombres
quiero cantarte
mientras la noche dura...
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Cantar para el amor que ya no evocan
las flores con su olor
ni algún vals familiar...
Para el que no se esconde entre cada crepúsculo,
ni atisba ni persigue ni vuelve nunca más...
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Para el amor más olvidado
-el más dulce...-,
el que no estoy segura de haber amado.
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Tú, que amas un amor fantasma
y que das un nombre a la niebla,
a la ceniza de los sueños...
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Tú, que te doblas sobre ti
misma como el sauce se dobla
sobre su sombra reflejada
en el agua... Tú que te cierras
los brazos vacíos sobre el
pecho y murmuras la palabra
que no oye nadie, ven y enséñame
a horadar el silencio,
a encender, a quemar la soledad...
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Que la vida no vaya más allá de tus brazos.
Que yo pueda caber con mi verso en tus brazos,
que tus brazos me ciñan entera y temblorosa
sin que afuera se queden ni mi sol ni mi sombra...
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Que me sean tus brazos horizonte y camino,
camino breve y único horizonte de carne:
que la vida no vaya más allá... ¡Que la muerte
se parezca a esta muerte caliente de tus brazos!...
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DULCE MARÍA LOYNAZ (1903 – 1997), nasceu em Havana. Filha do general do Exército Libertador Enrique Loynaz del Castillo e irmã do poeta Enrique Loynaz Muñoz. Aos 17 anos publicou os seus primeiros poemas em La Nación, em 1920. Em 1927 passou nos exames de Doutorado em Direito Civil, na Universidade de Havana. Em 1950 publicou crônicas semanais em El País y Excélsior. Também colaborou em Social, Grafos, Diario de la Marina, El Mundo, Revista Cubana, Revista Bimestre Cubana, Orígenes. Em 1951 foi eleita membro da Academia Nacional de Artes y Letras , da Academia Cubana de la Lengua em 1951 e da Real Academia Española de la Lengua en 1968. Seus principais livros são: Versos (1938), Juegos de agua (1947), Poemas sin nombre (1953), Jardín (1955), romance lírico. A revalorização de sua obra partiu da edição de uma seleção de sua Poesías escogidas (1984). Em 1987, foi concedido a ela o Prêmio Nacional de Literatura. Em 1993, na Espanha, recebeu o prêmio Cervantes de literatura.
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

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PAULO LEMINSKI
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04
LÁPIDE 1
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epitáfio para o corpo
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Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito
são suas obras completas.
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05
LÁPIDE 2
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epitáfio para a alma
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Aqui jaz um artista
mestre em disfarces
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viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte
deus tenha pena
dos seus disfarces
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06
AÇO E FLOR
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Quem nunca viu
que a flor, a faca e a fera
tanto fez como tanto faz,
e a forte flor que a faca faz
na fraca carne,
um pouco menos, um pouco mais,
quem nunca viu
a ternura que vai
no fio da lâmina samurai,
esse, nunca vai ser capaz.
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08
parem
eu confesso
sou poeta
cada manhã que nasce
me nasce uma rosa na face
parem
eu confesso
sou poeta
só meu amor é meu deus
eu sou o seu profeta
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18
quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta minha adolescência
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vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência
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vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito
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vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
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então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência
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32
Amor, então, também acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.
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33
Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me,
ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.
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38
BEM NO FUNDO
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No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
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48
ACORDEI BEMOL
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acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
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49
AMOR BASTANTE
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quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
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Paulo Leminski Filho (Curitiba, 24 de agosto de 1944 — Curitiba, 7 de junho de 1989) foi um escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro. Era, também, faixa-preta de judô.
Filho de Paulo Leminski e Áurea Pereira Mendes. Mestiço de pai polonês com mãe negra, Paulo Leminski Filho sempre chamou a atenção por sua intelectualidade, cultura e genialidade. Estava sempre à beira de uma explosão e assim produziu muito. É dono de uma extensa e relevante obra. Desde muito cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais, trocadilhos, ou brincando com ditados populares.
Em 1958, aos catorze anos, foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo e lá ficou o ano inteiro.
Participou do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda em Belo Horizonte onde conheceu Haroldo Campos, amigo e parceiro em várias obras. Leminski casou-se, aos dezessete anos, com a desenhista e artista plástica Neiva Maria de Sousa (da qual se separou em 1968).
Estreou em 1964 com cinco poemas na revista Invenção, dirigida por Décio Pignatari, em São Paulo, porta-voz da poesia concreta paulista.
Em 1965, tornou-se professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, e também era professor de judô.
Classificado em 1966 em primeiro lugar no II Concurso Popular de Poesia Moderna.
Casou-se em 1968 com a também poetisa Alice Ruiz, com quem viveu durante vinte anos. Algum tempo depois de começarem a namorar, Leminski e Alice foram morar com a primeira mulher do poeta e seu namorado, em uma espécie de comunidade hippie. Ficaram lá por mais de um ano, e só saíram com a chegada do primeiro de seus três filhos: Miguel Ângelo (que morreu com dez anos de idade, vítima de um linfoma). Eles também tiveram duas meninas, Áurea (homenagem a sua mãe) e Estrela.
De 1969 a 1970 decidiu morar no Rio de Janeiro, retornando a Curitiba para se tornar diretor de criação e redator publicitário.
Dentre suas atividades, criou habilidade de letrista e músico. Verdura, de 1981, foi gravada por Caetano Veloso no disco Outras Palavras. A própria bossa nova resulta, em partes iguais, da evolução normal da MPB e do feliz acidente de ter o modernismo criado uma linguagem poética, capaz de se associar com suas letras mais maleáveis e enganadoramente ingênuas às tendências de então da música popular internacional. A jovem guarda e o tropicalismo, à sua maneira, atualizariam esse processo ao operar com outras correntes musicais e poéticas. Por sua formação intelectual, Leminski é visto por muitos como um poeta de vanguarda, todavia por ter aderido à contracultura e ter publicado em revistas alternativas, muitos o aproximam da geração de poetas marginais que, embora ele jamais tenha sido próximos de poetas como Francisco Alvim, Ana Cristina César ou Cacaso. Por sua vez, em muitas ocasiões declarou sua admiração por Torquato Neto, poeta tropicalista e que antecipou muito da estética da década de 1970.
Na década de 1970, teve poemas e textos publicados em diversas revistas - como Corpo Estranho, Muda Código (editadas por Régis Bonvicino) e Raposa. Em 1975 - e lançou o seu ousado Catatau, que denominou "prosa experimental", em edição particular. Além de poeta e prosista, Leminski era também tradutor (traduziu para o castelhano e o inglês alguns trechos de sua obra Catatau, o qual foi traduzido na íntegra para o castelhano).
Na poesia de Paulo Leminski, por exemplo, a influência da MPB é tão clara que o poeta paranaense só poderia mesmo tê-la reconhecido escrevendo belas letras de música, como Verdura.
Músico e letrista, Leminski fez parcerias com Caetano Veloso e o grupo A Cor do Som entre 1970 e 1989.Teve influência da poesia de Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, convivência com Régis Bonvicino, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes Moreira, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes, Wally Salomão, Antônio Cícero, Antonio Risério, Julio Plaza, Reinaldo Jardim, Regina Silveira, Helena Kolody, Turiba.
A música estava ligada às obras de Paulo Leminski, uma de suas paixões, proporcionando uma discografia rica e variada.
Entre 1984 e 1986, em Curitiba, foi tradutor de Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett e Yukio Mishima.
Publicou o livro infanto-juvenil ‘’Guerra dentro da gente’’, em 1986 em São Paulo.
Entre 1987 e 1989 foi colunista do Jornal de Vanguarda que era apresentado por Doris Giesse na Rede Bandeirantes;
Paulo Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Além de um grande escritor, Leminski também era faixa-preta de judô. Sua obra literária tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos.]]
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Obra poética
Quarenta clics de Curitiba. Poesia e fotografia, com o fotógrafo Jack Pires.
Curitiba, Etecetera, 1976. (2ª edição Secretaria de Estado Cultura, Curitiba, 1990.) n.p.
Polonaises. Curitiba, Ed. do Autor, 1980. n.p.
Não fosse isso e era menos/ não fosse tanto e era quase. Curitiba, Zap, 1980. n.p.
Tripas. Curitiba, Ed. do Autor, 1980.
Caprichos e relaxos. São Paulo, Brasiliense, 1983. 154p.
e Ruiz, Alice. Hai Tropikais. Ouro Preto, Fundo Cultural de Ouro Preto, 1985. n.p.
Um milhão de coisas. São Paulo, Brasiliense, 1985. 6p.
Caprichos e relaxos. São Paulo, Círculo do Livro, 1987. 154p.
Distraídos venceremos. São Paulo, Brasiliense, 1987. 133p. (5ª edição 1995)
La vie en close. São Paulo, Brasiliense, 1991.
Winterverno (com desenhos de João Virmond). Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1994. (2ª edição publicada pela Iluminuras, 2001. 80p.)
Szórakozott Gyozelmunk (Nossa Senhora Distraída) - Distraídos venceremos, tradução de Zoltán Egressy, Coletânea organizada por Pál Ferenc. Hungria, ed. Kráter, 1994. n.p.
O ex-estranho. Iluminuras, São Paulo, 1996.
Melhores poemas de Paulo Leminski. (seleção Fréd Góes) Global, São Paulo, 1996.
Aviso aos náufragos. Coletânea organizada e traduzida por Rodolfo Mata. Coyoacán - México, Eldorado Ediciones, 1997. n.p.
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Obra em prosa
Catatau (prosa experimental). Curitiba, Ed. do Autor, 1975. 213p.
Agora é que são elas (romance). São Paulo, Brasiliense, 1984.1 63p.
Catatau. 2ª ed. Porto Alegre, Sulina, 1989. 230p.
Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego (prosa poética/ensaio). Iluminuras, São Paulo, 1994. (Prêmio Jabuti de poesia , 1995)
Descartes com lentes (conto). Col. Buquinista, Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1995. • Agora é que são elas (romance). 2ª ed. Brasiliense / Fundação Cultural de Curitiba, 1999.

Biografias
Cruz e Souza. São Paulo, Brasiliense. 1985. 78p.
Matsuó Bashô. São Paulo, Brasiliense, 1983. 78p.
Jesus. São Paulo, Brasiliense, 1984, 119p.
Trotski: a paixão segundo a revolução. São Paulo, Brasiliense, 1986.
Vida (biografias: Cruz e Souza, Bashô, Jesus e Trótski). Sulina, Porto Alegre, 1990. (2ª edição 1998)ENSAIOS
POE, Edgar Allan. O corvo. São Paulo, Expressão, 1986. 80p. (apêndice)
Poesia paixão da linguagem. Conferência incluída em Sentidos da paixão. Rio de Janeiro, Companhia das Letras, 1987. p.287-305.
Nossa linguagem. In: Revista Leite Quente. Ensaio e direção. Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, v.1, n.1, mar.1989.
Anseios crípticos (anseios teóricos): peripécias de um investigador dos sentido no torvelinho das formas e das idéias. Curitiba, Criar, 1986. 143p.
Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego (prosa poética/ensaio). Iluminuras, São Paulo, 1994. (Prêmio Jabuti de poesia , 1995) •
Ensaios e anseios crípticos. Curitiba, Pólo Editorial, 1997. n.p.
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Traduções
FANTE, John. Pergunte ao pó. São Paulo, Brasiliense, 1984.
FERLINGHETTI, Lawrence. Vida sem fim (com Nelson Ascher e outros tradutores). São Paulo, Brasiliense, 1984. n.p.
JARRY, Alfred. O supermacho; romance moderno. São Paulo, Brasiliense, 1985. 135p. lndição editorial, posfácio e tradução do francês.
JOYCE, James. Giacomo Joyce. São Paulo, Brasiliense, 1985. 94p. Edição bilingüe, tradução e posfácio.
LENNON, John. Um atrapalho no trabalho. São Paulo, Brasiliense, 1985.
MISHIMA, Yukio. Sol e aço. São Paulo, Brasiliense, 1985.
PETRONIO. Satyricon. São Paulo, Brasiliense, 1985.191 p. Traducão do latim.
BECKETT, Samuel. Malone Morre. São Paulo, Brasiliense, 1986.16Op. lndicação editorial, posfácio e traduções do francês e inglês.
Fogo e água na terra dos deuses. Poesia egípcia antiga. São Paulo, Expresão, 1987. n.p.
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Produção musical
1981- Verdura - Caetano Veloso no disco Outras palavras
1981- Mudança de estação -A cor do Som no disco Mudança de estação
1981- Valeu - Paulinho Boca de Cantor no disco Valeu
1982- Se houver céu - Paulinho Boca de Cantor no disco Prazer de viver
1982- Razão - A Cor do Som no disco Magia tropical
1990- Verdura - Blindagem no disco Blindagem
1990- Se houver céu - Blindagem no disco Blindagem
1993- Mãos ao alto - Edvaldo Santana no disco Lobo solitário
1994- Luzes - Susana Sales no disco Susana Sales
1996- Mudança de estação - A cor do Som no disco Ao vivo no circo
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Gravações em parceria (Letras de Paulo Leminski e música dos parceiros)
1976- Festa Feira - com Celso Loch no disco MAPA - Movimento de Atuação Paiol
1982- Promessas demais - com Moraes Moreira e Zeca Barreto, gravação por Ney Matogrosso
1982- Baile no meu coração - com Moraes Moreira no disco COISA ACESA
1982- Decote Pronunciado - com Moraes Moreira e Pepeu Gomes no disco COISA ACESA
1982- Pernambuco Meu - com Moraes Moreira no disco COISA ACESA
1983- Sempre Ângela - com Moraes Moreira e Fred Góes no disco SEMPRE ANGÊLA de Ângela Maria
1983- Teu Cabelo - com Moraes Moreira no disco PINTANDO O 8
1983- Oxalá - com Moraes Moreira no disco PINTANDO O 8
1984- Mancha de Dendê não sai - com Moraes Moreira no disco MANCHA DE DENDÊ NÃO SAI
1984- Milongueira da Serra Pelada, O Prazer do Poder, Circo Pirado, Xixi nas estrelas, Cadê Vocês?, Coração de Vidro, Frevo Palhaço, Viva a Vitamina com Guilherme Arantes no disco PIRLIMPIMPIM 2
1985- Alma de Guitarra - com Moraes Moreira no disco TOCANDO A VIDA
1985- Vamos Nessa - com Itamar Assumpção no disco SAMPA MIDNIGHT
1986- Desejos Manifestos - com Moraes Moreira e Zeca Barreto no disco MESTIÇO É ISSO
1986- Morena Absoluta - com Moraes Moreira no disco MESTIÇO É ISSO
1988- UTI - com Arnaldo Antunes, gravado por Clínica no disco CLÍNICA
1990- Oração de um Suicida -com Pedro Leminski, Blindagem no disco BLINDAGEM
1990- Sou legal eu sei - com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Não posso ver - com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Palavras - com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Hoje - com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Marinheiro - com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Quanto tempo mais - com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Legião de anjos - com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1991- Lêda - com Moraes Moreira no disco CIDADÃO
1991- Morena Absoluta - com Moraes Moreira no disco OPTIMUN IN HABBEAS COPPUS
1992- Polonaise - com José Miguel Wisnik no disco JOSÉ MIGUEL WISNIK
1992- Subir Mais - com José Miguel Wisnik no disco JOSÉ MIGUEL WISNIK
1993- Alles Plastik - com Carlos Careqa no disco TODOS OS HOMENS SÃO IGUAIS
1993- Freguês Distinto - com Edvaldo Santana no disco LOBO SOLITÁRIO
1993- Custa nada sonhar - com Itamar Assumpção no disco BICHO DE 7 CABEÇAS
1994- Polonaise - com José Miguel Wisnik na trilha sonora do filme ED MORT
1995- O Deus - com Edvaldo Santana e Ademir Assunção no disco TÁ ASSUSTADO? de Edvaldo Santana
1996- Filho de Santa Maria - com Itamar Assumpção, gravado por Zizi Possi no disco MAIS SIMPLES
1996- ODE X - com Marcelo Solla no disco Marcelo Solla
1997- Lua no Cinema - com Eliakin Rufino no disco SANSARA da Sansara
1997- Lêda - com Moraes Moreira no disco 50 CARNAVAIS
1997- Mancha de dendê não sai - com Moraes Moreira no disco 50 CARNAVAIS
1997- Parece que foi ontem - com Bernardo Pelegrini no disco QUERO SEU ENDEREÇO da banda Bernardo Pellegrini e o bando do cão sem dono.
1997- Filho de Santa Maria - com Itamar Assunção no disco QUERO SEU ENDEREÇO da banda Bernardo Pellegrini e o bando do cão sem dono.
1998- Legião de Anjos - com Ivo Rodrigues no disco DIAS INCERTOS
1998- Rapidamente - com Ivo Rodrigues no disco DIAS INCERTOS
1995- Filho de Santa Maria - com Itamar Assumpção,Banda Beco no disco BECO
1995- V. de Viagem - com Banda Beco no disco BECO
1995- Peso da Lua - com Banda Beco no disco BECO
1998- Coisas - com Celso Loch no disco VERFREMDUNGSEFFEKT BLUES
1998- Além Alma - com Arnaldo Antunes no disco UM SOM
1998- Dor Elegante - com Itamar Assumpção no disco PRETOBRÁS
1999- Perdendo Tempo - com Thadeu / Roberto Prado / Walmor Douglas na trilha sonora do filme BAR BABEL da banda Maxixe Machine
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Literatura infanto-juvenil
Guerra dentro da gente. São Paulo, Scipione, 1986. 64p.
A lua foi ao cinema. São Paulo, Pau Brasil, 1989. n.p.
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domingo, 10 de agosto de 2008

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Pedro Lyra: Poeta do amor e do pensamento
Entrevista exclusiva para o Jornal Poiésis. Doutor em Poética, professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pedro Lyra é natural de Fortaleza-CE. Uma referência na poesia brasileira do pós-modernismo. Atual e inovador. Tradicional e revolucionário. Ele fala ao Jornal Poiésis sobre sua obra e faz reflexões sobre os seus modos de escritura, revelando aspectos bem peculiares do processo de criação poética.
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Poiésis: Como é que você, empregando a disciplina clássica do soneto e retornando a desgastada temática do amor, consegue conciliar o tradicional e o revolucionário, criando uma poesia com tanta força e beleza?
Pedro Lyra – Antes de tudo, meu caro Sylvio: muito grato pelo tom desta pergunta inicial. É a síntese de uma crítica altamente valorativa. Porque não é tão simples “conciliar o tradicional e o revolucionário”, como você considera, e afirma que o consegui. Ainda mais explorando “a desgastada temática do amor” e “empregando a disciplina clássica do soneto”. E você ainda acrescenta que o fiz “com tanta força e beleza”. Bom, eu conto no depoimento “A gênese de uma poética do amor”, ao final do livro (Desafio – Uma poética do amor, de 1991), como o escrevi. Em síntese: estava sozinho em Portugal, no inverno de 1986. Numa gélida madrugada, fui como que sacudido pela lembrança de amores passados. Decidi na hora escrever um poema para cada uma – e espontaneamente brotou na forma do soneto. Como você observa, tanto a forma quanto o tema estão desgastados. Então resolvi reestruturar o soneto, através de dois procedimentos básicos: flexibilizar a estrofação, evitando a fórmula 4-4-3-3, e decompor o verso, conforme o ritmo e/ou a sintaxe. O resultado me pareceu realmente algo novo: quanto à forma, alguns poetas já haviam decomposto o verso, mas ninguém antes havia alterado o modelo; quanto ao tema, superados são apenas os históricos, não os eternos, como o amor. Desde que o poeta seja capaz de acrescentar algo pessoal ao que já foi revelado sobre um tema eterno, seu poema supera esse desgaste. A julgar pela fortuna crítica desse livro, posso acreditar que consegui.
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Jornal Poiésis: É verdade que sua poesia é um percurso através do seu próprio eu, uma espécie de autobiografia?
Pedro Lyra – Alguém já afirmou que todo poema lírico é autobiográfico. Ele se desenrola na imaginação, mas decola sempre de uma vivência pessoal. No caso do poema de amor, ele se limita a três motivos, centrados no desejo: 1) a falta – que é o desejo frustrado; 2) a conquista – que é o desejo realizado; 3) a perda – que é o desejo contrariado. Já que a falta e a perda se equivalem, temos, portanto apenas dois tipos básicos de poema amoroso: o de celebração, muito raro, porque, estando satisfeito, o indivíduo se entrega à fruição da hora; e o de lamento, muito mais freqüente, porque, estando insatisfeito, o individuo sofre a necessidade de preencher o vazio existencial, e a única criação humana capaz disso é a arte: todas as outras formas (viagem, trabalho e, principalmente, um novo e imediato amor) são ilusórias. Mas esse tom autobiográfico é apenas do livro Desafio (e de Contágio, de 1993, subintitulado exatamente “Poesia do desejo”). Porque os outros são diferentes, e vão do satírico ao dramático, do metafísico ao épico – como aqui mesmo neste jornal já foi assinalado pelo poeta e crítico Fernando Py. Creio que todos estão bem definidos nos subtítulos: Decisão (de 1983) é uma coletânea de “Poemas dialéticos”, contestando a sociedade burguesa; Errância (de 1996) é “Uma alegoria trans-histórica”, que põe em confronto o pré-histórico e o pós-moderno, numa tentativa de caracterização do trajeto da nossa civilização; Jogo (de 1998) é “Um delírio erótico-metafísico-econômico”, em que um jogador, desesperado por estar perdendo tanto, vai refletindo aleatoriamente sobre o amor, sobre o destino e sobre sua própria situação; Confronto (de 2005) é “Um diálogo com Deus”, questionando todos os magnos problemas vinculados à idéia de sua existência, como a origem do universo, a condição da Terra, o sentido da vida e o destino do ser; Argumento (de 2006) é uma coletânea de “Poemythos globais”, abordando em poemas curtos os três “mitos” da nossa hora – a globalização, o terrorismo e o liberalismo.
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Jornal Poiésis: Você é mesmo esse "homo eroticus" disseminado através de sua poesia?
Pedro Lyra – Suponho que o “homo sapiens”, que antes foi o “homo faber”, seja também um “homo eroticus”, ou nossa espécie já teria se extinguido. Portanto, como qualquer ser humano normal, eu sou também um “homo eroticus”. E como a de qualquer outro poeta, minha poesia amorosa deriva dos meus desejos e suas respectivas vivências. Mas, pelo que afirmei na resposta anterior, talvez eu seja também um “homo criticus”,.. Entre a de sentimento e a de pensamento, creio que minha poesia se identifique mais como de pensamento. Mesmo em Desafio: a maior parte é de sonetos sobre amor, não de amor, como afirmo no citado depoimento.
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Jornal Poiésis: A mulher é, na sua poesia, mero objeto do prazer, ou o pano de fundo de um lirismo derramado?
Pedro Lyra – Agora peço-lhe permissão para discordar das suas duas suposições: nem um “mero objeto do prazer”, nem “o pano de fundo de um lirismo derramado”. Quanto à primeira: em Desafio, há 5 tipos de sonetos: 1) conceitual – em que se define uma face do amor; 2) narrativo – em que se conta um caso de amor: 3) confessional – em que fala o homem, sempre solicitando esclarecimentos à musa; 4) analítico – em que fala a mulher, sempre instigando o homem, ora como musa, ora como fêmea; 5) dialogal – em que poeta e musa se debatem em torno do amor. Em todos os sonetos da dicção feminina, a mulher/musa fala sempre com a pretensa voz da sabedoria. Portanto, jamais ela aparece como mero objeto de prazer. Quanto à segunda: em poemas dessa natureza, em que predomina o tom reflexivo, jamais se pode ter um lirismo derramado: é sempre contido, até mesmo pelas imposições da forma do soneto. No livro Contágio, uma coletânea de forma livre, há alguns poemas relativamente longos, mas nenhum dos meus críticos jamais os considerou “derramados”. Indico os dois livros já publicados sobre minha poesia: Uma palavra marcada, da professora Hermínia Lima, de 1999; e Uma poesia dialógica, do já citado Fernando Py, de 2005.
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Jornal Poiésis: Você fala de amor, de morte, da dor, do prazer, da vida em suma, como se se esvaísse por uma veia rasgada. O que é vivência e o que é leitura nesse contínuo esvair-se?
Pedro Lyra – Todo poeta fala dessas coisas – e praticamente apenas dessas coisas, pois que não há tantas outras ou a condição humana se resume mesmo nelas. No meu caso, eu incluiria também a problemática social. Mas você me acrescenta um esvair-se de substância tornada poética como se “por uma veia rasgada”. Tomo-o como outro grande elogio, e lhe agradeço. Pois isso implica uma autenticidade de emoção criadora – imaginária ou sentida, tanto faz. E a obra de todo poeta culto é um misto de vivência e leitura – e a minha também é. Nem sempre essas duas grandes fontes aparecem equilibradas. Decisão, por exemplo, é um livro de poemas políticos, e jamais tive a menor participação na vida política do nosso país: tenho nojo: portanto, é mais um fruto de leitura, observação e reflexão. Já Contágio parece o oposto: são poemas explorando aquelas três formas do desejo, dispensando leituras prévias. Desafio talvez seja o meu livro em que aquelas duas fontes aparecem mais próximas de um equilíbrio. Já disse como ele surgiu: de vivências passadas. E acrescento: ele abre com uma “Folha de Créditos”, em que registro meu débito para com poetas da minha preferência. São epígrafes de 21 deles, algumas retomadas quase como paráfrases num ou noutro soneto.
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Jornal Poiésis: Onde você situa Raul de Leoni na poesia nacional, e a Neide Archanjo?
Pedro Lyra – Luz mediterrânea é um dos meus livros preferidos, e assim aparece num tópico do meu Orkut. Tenho todas as suas edições numa prateleira especial da minha biblioteca e organizei duas delas: uma para a Topbooks, com comentários sobre elas, em 1996, outra para a Global, na coleção “Os melhores poemas”, no ano 2000. Nos prefácios, eu o situo como um eclético pré-moderno (não apenas pela contingência temporal mas, sobretudo, pela reivindicação da liberdade de posicionamento, pelo polimetrismo bem próximo do versilibrismo, pelas antecipações de certas configurações sociais de nossa época etc.), com estilemas de todas as estéticas anteriores: ele é, simultaneamente, também neo-clássico (na intenção filosófica, na altivez de espírito, na clareza da enunciação, na depuração da linguagem etc.); neo-romântico (embora tenha publicado apenas um poema de amor – na concepção idealista de vida, em certa melancolia diante do ideal inatingível, numa vaga idealização do passado etc.); neo-parnasiano (embora não tenha escrito um só poema tipicamente escolástico – no requinte formal, no distanciamento emotivo, na opção pelo soneto mesmo não-alexandrino etc.) e, talvez mais que todos, neo-simbolista (na musicalidade da expressão, em certa diluição dos referentes, no ritmo melodioso e às vezes encantatório, na dicção penumbrista, na ambigüidade do misticismo, no gosto pela alegorização etc.). Acho estranho que alguém ainda o considere simplesmente como parnasiano, quando esta é a nota de menor presença. Quanto à Neide Archanjo, ela é um dos nomes paradigmáticos da Geração-60. Na introdução a Sincretismo (Topbooks, 1995), livro em que tento configurar essa geração, que é a minha, apresento sua poesia com três grandes segmentos: 1º) a “Tradição discursiva”, de poetas fiéis ao verso e à imagem; 2º) o “Semioticismo vanguardista”, das poéticas experimentalistas do Poema/Processo e da Arte-Postal; 3º) a “Variante alternativa”, dos poetas “marginais”. Neide se vincula ao primeiro, em que identifico quatro vertentes básicas: 1ª) a “Herança lírica”, 2ª) o “Protesto social”, 3ª) a “Explosão épica”, 4ª) a “Convicção metapoética”. E ela explora todas essas quatro vertentes: a segunda com Poesia na praça e a terceira com Quixote, tango e fox-trote; a primeira e a última, com o restante de sua vasta e bela obra.
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Concluo com um reconhecido abraço aos leitores de Poiesis - um jornal que resiste às forças da anti-poesia.
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Agradecimento especial ao meu amigo poeta Sylvio Adalberto, Presidente da Academia Brasileira de Poesia - Casa de Raul de Leoni, por ter-me permitido publicar essa entrevista com o Pedro Lyra, poeta cearense, conterrâneo, que tanto amo e admiro.
E VIVA A POESIA!
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Poemas da Madrugada
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AMOR NO ÉTER
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Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos
mergulhados na água,
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.
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(Adélia Prado)
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Barra de Sucatinga - Ceará ( By Alex Alves)
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BOA NOITE MEU AMOR...
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Boa noite, meu amor!
O mar acalma na brisa
essa é a hora de voltar...
A brisa acalmar o vento
os sonhos o pensamento
que não cessam de gritar
nessa noite numerosa
entre as ondas sinuosas
dos caminhos do luar...
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Boa noite, meu amor!
Sem os muros dos rochedos
sem nenhum setembro negro
sem mistérios nem segredos
sem os medos de voltar...
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Boa noite, meu amor!
É destino o amanhecer
para a noite descansar...
Bom sonhar enquanto é tempo
bom de morrer ao relento
bom de renascer no mar...
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(Afonso Estebanez)
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( By Campanella).
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CABALLITOS DE MAR
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O teu silêncio é ave noturna
- Pupila que de remotas torres vigia.
Do filhote, já os trêmulos augúrios;
Do consorte, a fome de rapina.
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Tem algo abissal, o teu silêncio
- Pérola onde toda luz ensaia.
Dos cavalos do mar, o galope náutico
E as líquidas crinas;
Das dorsais oceânicas, a geometria do assombro,
O sólido, frontal encanto.
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Ato litúrgico, iluminuras, litanias
- o teu silêncio é ainda espargido incenso
( cinza imemorial e odora)
nave dos silêncios góticos que ergui.
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(Melhor te amariam os olhos
que distraídos de mim te vissem.)
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(Fernando Campanella)
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Alvorada na praia do Barro Preto - Ceará ( By Alex Alves)
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MEU HINO NACIONAL DE AMOR
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Nas alvas pétalas de rosas que me envias
reescrevo os versos amorosos que te dei.
Teu coração relembra enquanto tu recrias
os afetos dos versos que ainda escreverei.
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Apraz a alma que a alvorada de teus dias
renasça da esperança com que te sonhei:
com o encantar-te o coração das alegrias
de uma rainha que se encanta de seu rei.
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Aprendi a escrever no topo da esperança
hasteando versos na colina da lembrança
do jardineiro que não sabe de outra flor...
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E assim das pétalas da minha rosa única
os versos ao amor me servirão de túnica
e tu! Serás meu hino nacional de amor!...
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(Afonso Estebanez)
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(By Campanella)
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A MEDIA LUZ
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Sempre reneguei o tango
e os entusiastas de Gardel,
(longe de mim a passional postura
eivada de desolação e dor),
o amor sempre em mim um campo
de mais alvos lírios onde não choveu.
Afastei o bruxo, cerrei as tendas,
mas na contrapartida
adiei o fruto, me ceguei à cor.
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Violinos eternos , bandoneóns ,
toquem-me hoje um tango crepuscular
e tardio, toquem, que desaprendi
o me bastar e o meu cismar sozinho,
à meia-luz meu coração
são girassóis que dançam
-todo chama, e torvelinho.
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(Fernando Campanella)
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"O vírus do amor ao livro é incurável, e eu procuro inocular esse vírus no maior número possível de pessoas."

(José Mindlin - Bibliófilo e escritor brasileiro)

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"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."

(Nelson Rodrigues)

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