sábado, 20 de março de 2010

Eu não sei quem te perdeu



Quando veio,
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo.
Disse-lhe um segredo:
«Não partas nunca mais»
E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.
E uma asa voa
A cada beijo teu.
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.
Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.
E partiu,
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.
E uma asa voa
A cada beijo teu.
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

Pedro Abrunhosa Brilhante

Um comentário:

direitinho disse...

Lindo este poema de Abrunhosa.
Começamos a ler numa cadência quase sem ver como termina.
Parabéns pela escolha.

Obrigado pela visita e pelo carinho.
Sinto-a sempre perto do meu coração.
Bem haja.
Saúde e muita paz lhe desejo.