segunda-feira, 16 de março de 2009


Viandante

Viandante que passas nessa urbe
Chamada coração, trazendo sonhos
De volúpias, magia e emoção,
Entra aqui! Vês, estou sozinha
No aljube das madrugadas insones,
Nesse porto chamado solidão...

Prisioneira de incontáveis ilusões,
Construí castelos, torres e muralhas
À prova de tormentos e vendavais.
Ilusão! A felicidade lá não estava,
Do meu íntimo ser ela partiu,
Levou o perfume dos meus roseirais...

E amargurada e só e triste,
Lancei meu batiscafo no mar.
Nos sonhos imergí - ser pensante.
Visionária sou, não posso negar
Que na zetética pura do amor
Sou também um viandante...

Vem, segura-me as mãos!
Traz o perfume vernante!
Perto de ti sou crisálida
Que, ao sair do casulo,
Bate as asas, canta e chora
No vergel da paixão alucinante!

E na urbe chamada coração,
Cobriu-se de estrelas a noite,
De lírios e rosas o luar.
Nela, caminheira e viandante
De mãos dadas, felizes, a sonhar.
Ilusão! Vais partir - vou ficar!

Vou ficar, ó doce viandante!
Juntos, as flores não vingarão,
Estrelas sonhos, só ilusão!
Sou caminheira - és viandante,
Cruzas os meus caminhos e passas
Nessa urbe chamada coração...

Sylvia Narriman Barroso

6 comentários:

direitinho disse...

Mais um poema cheio de sensibilidade e transparência. Bonito. Tantas coisas podemos transpôr num poema e que aí são uma vivência, recordação e desejo.
Cantar o amor não tem preço, não tem idade nem deverá nunca acabar.
É esse sonho que nos mantem activos e vivos neste mundo em mudança. É vivendo e cantando o amor que renascemos todos os dias procurando compreender o viandante que passa nas nossas vidas, nos dá a mão, nos mata a sede de desejo e ilusão. É o amor que nos dá força de aceitar a sua partida e a capacidade de construir novos rumos
onde nos possamos encontrar com a nossa imagem que queremos viva.
um beijo de carinho por este seu trabalho.

O Sibarita disse...

Syvia que belo poema seu dos velhos tempos!

Escreves bem e sabes disso, bom deixo um outro poema que pertence a .... e acho que você nunca leu, se leu, não se ligou, uma pena! kkkkk

Tsunami

Manda-me dizer da lua cheia no brilho das marés,
Se o amor busca em ti a fúria da paixão revestida
De todos os anseios de que somos viáveis sem viés
É que no brilho da tua face há vida para ser vivida...

Da janela dos teus olhos eu sorvo a seiva do sol
Refaço rumos pelos debruns da tarde em desejo
Depois do amor, depois de macerado pelo amor
Voltarei à tarde, à noite para roubar-te um beijo...

Meu tsunami há tempo tu me levas de roldão, cismo!
Com mel e flor de oásis por trás dos meus desertos,
No infinito, miragens de ti em rútilos versos do imo
Acendem todas as auroras dizimando crepúsculos...

E dos teus espelhos manda-me buscar se tens o dia,
Diz-me no fogo do coração, do amor e bem querer
Se é verdade que sem mim o tempo é de nostalgia
Que revestido de luz em puro desejo volto a te ver...

Eu me entregarei nas tuas chamas ardentes noites adentro,
Mas, escutai as ondas e a aragem. Olhai as tardes e o mar
Que nesta hora o verão floresce, sopra o frescor dos ventos
E dos meus lábios beijados de ti, ouvirá: é lua nova em Jauá !

O Sibarita

Olha se quiser vê-la com as estrofes certinhas: http://osibarita.blogspot.com/2008/11/tsuname.html

Sylvia, aqui as estrofes não ficam certinhas e talvez haja dificuldade de entendimento.

bjs
O Sibarita

Anônimo disse...

I found your blogs...
I would like to say you :
thank you for your wonderful passion.


See you maybe someday, :)


Charles Marsan
http://www.charlesmarsan.com/

Anônimo disse...

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Saludos
Jorge

Anônimo disse...

Hola, gente. Comienza marzo y comienza el año.
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Saludos.
Jorge

Efigênia Coutinho disse...

Sylvia Narriman Barroso, estava com saudades de ler você, e chego aqui leio "Viandante
" belo sentir duma alma profunda, meus cumprimentos a você, com admiração,
Efigênia Coutinho