sexta-feira, 20 de março de 2009



Deserto
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Vou partir, vais ficar. "Longe da vista,
longe do coração" — diz o ditado.
Basta, porém, que o nosso amor exista,
para que eu parta e fiques sem cuidado.
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Dentro em mim mesmo, o coração egoísta,
quanto mais longe, mais te quer ao lado;
tanto mais te ama, quanto mais te avista
e, antes de ver-te, já te havia amado.
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Vou partir. Para longe? Para perto?
— Não sei: longe de ti tudo é deserto
e todas as distâncias são iguais!
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Como eu quisera que, na despedida,
quando se unissem nossas mãos, querida,
nunca pudessem desunir-se mais!
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Guilherme de Andrade e Almeida
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3 comentários:

Oswaldo Antônio Begiato disse...

oi Sylvia, é sempre uma delícia ler poemas de "O Príncipe dos Poetas", e ver blogs assim, com tanto bom gosto poético como o teu.
Parabéns, fiquei encantado.

Queria agradecer a visita que fizeste ao meu blog e pelo gentil comentário que deixaste lá.

Muitas pessoas dizem a respeito de minha poesia, que são tristes.
Mas sabe, Sylvia, eu não sei escrever direito, e pior de tudo,na vida real nem sou triste, sou até um tanto quanto feliz...

Jà tentei escrever diferente, mas também ja ouvi dizer que poetas são mesmo triste. Então não sei o que fazer..se continuo escrevendo, pois é da tristeza que nasce a alegria, ou se paro...

Mas como dizia Rainer Maria Rilke, o poeta, se parar de escrever morre. Acho eu que ele tinha razão.

Obrigado amiga, mesmo.
bjos.w

prafrente disse...

Tudo bem Sylvia?
Vai mesmo partir?
Beijinho de Porugal

direitinho disse...

O amor é bonito e encantador pois nos faz viver e compreender que somos uma parte de outras partes que se completam.
Somos rodas de engenhos que se ligam e movimentam com beleza e entendimento.
Porque será que tudo acaba e nos deixa mutilados, insatisfeitos e relvoltados...?
O que faltou ...? Porque acabou..?
Não foi o outro que quiz, fui eu que fugi. Tudo quanto vivemos será saudade, será vida que tivemos e quisemos e aí nunca morreremos.