segunda-feira, 23 de março de 2009

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AUSÊNCIA
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Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência
é mais funda do que a tua.
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Sophia de Mello Breyner Andresen
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6 comentários:

Zica Cabral disse...

Ah! A Sophia de Mello Breiner!!!!!!!!!!!!!! É uma das minhas poetisas preferidas. A primeira é Florbela Espanca A 2ª A Sophia. Como ninguem sabe conjugar as palavras para descrever os sentimentos que assolam os seres humanos.
Quanto à morte do John..............bem, eu tenho uma relação com a morte fisica, muito especial. Porque a estudei (o morte) antropologicamente, tb, interiorizei e compreendi todos os fenomenos internos que lhe estão , directamente, ligados. Sentimentos de desespero pela impotência total que experimentamos perante tal fenomeno, noção de perca fisica de uma presença insubstituível, o vazio que fica dentro de casa ou dentro da nossa alma. Mas, embora a interiorização cientifica do fenomeno não nos tire os sentimentos, se de facto gostamos muito (e eu amava-o verdadeiramente) dá-nos força para compreender o que se passa no nosso interior e racionalizar um pouco a perca. Tudo o que o John era ficou cá dentro. Lembro-me do exacto momento em que deixei de lhe sentir o pulso e que a respiração terminou senti que o corpo ja não era mais o que envolvia o seu espirito. Esse estava livre tinha-se soltado e estava agora dentro de mim e de todas as pessoas a quem ele tocou com a sua alegria, a sua bondade e o forte espirito de abnegação. Eram algumas das suas caracteristicas.
O John era uma pessoa muito doente, já o era quando o conheci. Tinha diabetes, os rins não funcionavam e era amputado de um perna. Tinha dores constantes desde há 3 anos quando caiu do elevador interno que nós temos aqui em casa. Partiu vertebras e fez uma lesão na coluna que não foi detectada no hospital por absoluta incompetencia dos medicos daqui. Mas, era raro queixar-se, só quando estava mesmo muito aflito. Era raro perder a sua boa disposição , a paciencia e a alegria de estar vivo. Acho que se eu sofresse como ele estaria sempre rabugenta. Por isso, quando passou para o outro lado eu senti que se tinha libertado de todo o sofrimento fisico e alegrei-me por ele. O apego que muita gente tem ao corpo e o não querer deixar as pessoas partir é, um sentimento egoista. Nós não queremos ficar sem a pessoa esquecendo-nos que, quando se ama, verdadeiramente alguem, devemos querer o que é melhor para essa pessoa e não o que nós desejamos para nós.
Não perdi a capacidade de amar e espero nunca perder a capacidade de me apaixonar, por alguem ou pela vida em geral. Porque para mim, ela tem que ser vivida SEMPRE, com paixão.
Um beijinho aqui deste paraíso que é a Ilha de Wight.
Zica

direitinho disse...

Bonitos poemas que nos quiz dar a sua alma poetica.
Não tenho palavras nem alma suficiente para comentar tão nobres maravilhas.

Zica Cabral disse...

e tem toda a razão a Sophia, como sempre. Nenhuma ausência é mais profunda do que de quem se ama mas que não nos ama mais............
bjs
Zica

Anônimo disse...

Silvia amar é sofrer ! Quem não sofreu não amou ainda! E quem pretende amar sofrerá com certeza!
Se quiser amar tem de estar preparado! Isso é viver!!
Abraço Ademar!!!

http://ademareadebem.blogspot.com/

Anônimo disse...

Obrigado Sylvia pela tua delicadeza.
Mas penso que ainda muito tenho que aprender...
se o tempo me permitir..
obrigado, mesmo..
bjos.w

MEU BLOG
www.oabegiato-poesias.blogspot.com

PASSARINHO
Oswaldo Antônio Begiato

Eu sou livrinho.
Não um livro
pequeno,
mas um pequenino
menino:
- Livre.

Anônimo disse...

talvez tenhamos algo para pensarmos
veja meu blog http://www.filosofar-comigo.blogspot.com/
Teri