sábado, 7 de março de 2009

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Poemas da Madrugada
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Poema ¡adios!
de Alfonsina Storni
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Las cosas que mueren jamás resucitan,
las cosas que mueren no tornan jamás.
¡Se quiebran los vasos y el vidrio que queda
es polvo por siempre y por siempre será!
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Cuando los capullos caen de la rama
dos veces seguidas no florecerán...
¡Las flores tronchadas por el viento impío
se agotan por siempre, por siempre jamás!
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¡Los días que fueron, los días perdidos,
los días inertes ya no volverán!
¡Qué tristes las horas que se desgranaron
bajo el aletazo de la soledad!
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¡Qué tristes las sombras, las sombras nefastas,
las sombras creadas por nuestra maldad!
¡Oh, las cosas idas, las cosas marchitas,
las cosas celestes que así se nos van!
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¡Corazón... silencia!... ¡Cúbrete de llagas!...?
de llagas infectas? ¡cúbrete de mal!...
¡Que todo el que llegue se muera al tocarte,
corazón maldito que inquietas mi afán!
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¡Adiós para siempre mis dulzuras todas!
¡Adiós mi alegría llena de bondad!
¡Oh, las cosas muertas, las cosas marchitas,
las cosas celestes que no vuelven más! ...
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Alfonsina Storni
(1892-1938)
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BEM PODE SER
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Bem pode ser que tudo o que em meu verso hei sentido
Não seja mais que aquilo que nunca pôde ser,
Não seja mais do que algo vedado e reprimido
De família em família, de mulher em mulher.
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Dizem que nos solares dos meus, sempre medido
Estava tudo aquilo que se tinha a fazer...
Silenciosas dizem que as mulheres hão sido
Em meu materno lar. Ah, sim, bem pode ser...
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Às vezes minha mãe terá sentido o anseio
De liberar-se, e logo viu subir-lhe do seio
Uma funda amargura, e na sombra chorou.
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E tudo de mordaz, vencido, mutilado,
Tudo o que se encontrava em sua alma guardado,
Creio que sem querer fui eu quem libertou.
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Tradução de José Jeronymo Rivera
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DOR
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Quisera esta tarde divina de outubro
passear pela beira longínqua do mar;
Que a areia de ouro, e as águas verdes,
e os céus puros me vissem passar.
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Ser alta, soberba, perfeita, quisera,
como uma romana, para concordar
com as grandes ondas, e as rocas mortas
e as largas praias que apertem o mar.
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Com o passo lento, e os olhos frios
e a boca muda, deixar-me levar;
ver como se rompem as ondas azuis,
contra os granitos e não pestanejar;
ver como as aves de rapina se comem
os peixes pequenos e não despertar;
pensar que puderam as frágeis barcas
Afundar-se nas águas e não suspirar;
Ver que se adianta a garganta ao ar,
O homem mais belo não desejar amar…
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Perder o olhar, distraidamente,
perdê-lo e que nunca o volte a encontrar:
E figura erguida entre céu e praia
sentir-me o esquecimento perene do mar.
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Tradução de Maria Teresa Almeida Pina
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HOMEM PEQUENINO
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Homem pequenino, homem pequenino,
Solta o teu canário que quer voar...
Eu sou o canário que quer voar...
Eu sou o canário, homem pequenino,
Deixa-me escapar.
Estive na tua gaiola, homem pequenino,
Homem pequenino que gaiola me dás.
Digo pequenino porque não me entendes,
Nem me entenderás.
Tampouco te entendo, mas enquanto isso
Abre-me a gaiola que quero escapar;
Homem pequenino, amei-te meia hora.
Não me peças mais.
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Tradução de Carlos Seabra
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O ENGANO
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Sou tua, Deus sabe porque, já que compreendo
Que haverás de abandonar-me, friamente, amanhã,
E que embaixo dos meus olhos, te encanto
Outro encanto o desejo, porém não me defendo.
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Espero que isto um dia qualquer se conclua,
Pois intuo, ao instante, o que pensas ou queiras
Com voz indiferente te falo de outras mulheres
E até ensaio o elogio de alguma que foi tua.
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Porém tu sabes menos do que eu, e algo orgulhoso
De que te pertence, em teu jogo enganoso
Persistes, com ar de ator dono do papel.
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Eu te olho calada com meu doce sorriso,
E quando te entusiasmas, penso: não tenhas pressa
Não és tu o que me engana, quem me engana é meu sonho.
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Tradução de Maria Teresa Almeida Pina
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A CARÍCIA PERDIDA
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Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?
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Tradução de Carlos Seabra
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TU QUE NUNCA SERÁS
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Sábado foi caprichoso o beijo dado,
Capricho de varão, audaz e fino
Mas foi doce o capricho masculino
A este meu coração, lobinho alado.
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Não é que creia, não creio, se inclinado
sobre minhas mãos te senti divino
E me embriaguei, compreendo que este vinho
Não é para mim, mas jogo e roda o dado...
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Eu sou a mulher que vive alerta,
Tu o tremendo varão que se desperta
E é uma torrente que se desvanece no rio
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E mais se encrespa enquanto corre e poda.
Ah, resisto, mas me tens toda,
Tu, que nunca serás de todo meu.
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Tradução de Maria Teresa Almeida Pina
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Alfonsina Storni (1892-1938) - Nascida na Suiça, imigrou com os seus pais para a província de San Juan na Argentina em 1896. Em 1901, muda-se para Rosario (Santa Fé), onde tem uma vida com muitas dificuldades financeiras. Trabalhou para o sustento da família como costureira, operária, atriz e professora.
Descobre-se portadora de câncer no seio em 1935. O suicídio de um amigo, o também escritor Horacio Quiroga, em 1937, abala-a profundamente.
Em 1938, três dias antes de se suicidar, envia de um hotel de Mar del Plata para um jornal, o soneto “Voy a Dormir”. Consta que suicidou-se andando para dentro do mar — o que foi poeticamente registrado na canção "Alfonsina y el mar", gravada por Mercedes Sosa; seu corpo foi resgatado do oceano no dia 25 de outubro de 1938. Alfonsina tinha 46 anos.
Seus primeiros livros de poemas foram La inquietud del Rosal, El dulce daño e Irremediablemente. Entre outros livros, destacam-se entre suas obras Ocre), El Mundo de Siete Pozos e Mascarilla y trébol.
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2 comentários:

direitinho disse...

Gostei muito de todos os poemas. Parece que está sempre em desvantagem e que a amargura não sai da sua vida.
O Poema Homem pequenino reflecte o desejo de viver e poder voar no seu mundo que tambem é finito, limitado, não tem retorno mas será o seu grito
«Abre-me a gaiola e deixa-me voar e libertar»

O Sibarita disse...

Oi dona moça! kkk Que beleza essa poetisa, hein? É a poesia aflora em todos os sentidos...

É 10000000000000000... faça fé!

Sylvia, que o dia internacional das mulheres não passe em vão nos paises em que as mulheres não têm seus direitos reconhecidos, respeitados!

FELIZ OITO DE MARÇO!

Deixo uma flor simbolica como reconhecimento pela grande mulher que é!

bjs
O Sibarita