segunda-feira, 2 de março de 2009

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Martinho Rodrigues
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SEM DISFARCE
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Deixe que eu te mostre
Minhas outras faces...
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Meus modos, minhas fragilidades
Minhas imperfeições.
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Meu egoísmo, minhas infidelidades
O meu sim e o não.
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Deixe
Que eu te mostre,
Por inteiro, quem eu sou.
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Que, na hora H, eu te confesse
Que nem sou tão bom de cama...
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Deixe
que eu retire os meus disfarces...
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Vendo-me assim: completamente nu...
Diga se me ama?
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PLENITUDE
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Quando aportares,
mais que a parceira fiel
à tua espera, terás a primavera!
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Quando me abraçares,
mais que o vinho francês
para celebrar, teremos o luar!
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Quando cansares,
a teu dispor, mais que
alcova de cetim, tens a mim.
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Quando partires,
mais que as águas dos
rios pra chorar...tenho o mar
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(Armênia )

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BEM-VINDO
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Se o amor
Veio tarde à nossa porta,
Qualquer hora,
O Amor será bem-vindo.
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Se a lua foi embora...
Pouco importa.
A poesia não está dormindo.
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A ti,
O meu Amor
Não diga nada.
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A mim,
Nada prometas.
Silencia.
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Deixe que
A aurora,
Muda, enciumada,
Escute o que nos diz a Poesia!...
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( Monte Ararat)
Que não seja imortal, posto que é chama,
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinicius de Moraes)
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SONETO DO AMOR INFINITO
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Quero cativo viver ao teu lado...
sem amanhã, nem ontem, sem demora
te amando mais e sendo mais amado
mesmo que um dia...possas ir embora.
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Quero viver todo esse amor sem medo,
como vivesse o último momento
de um tempo incerto que nos cerca cedo,
e de si mesmo torna-se alimento.
.Tão infinito amor!...pequena chama,
há de findar, por certo. E, de repente,
quando chegar-me o tempo da
saudade...
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Possa eu dizer, ao gosto de quem ama,
que para o amor que tive, certamente,
um breve instante é mais que eternidade!

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(Monte Ararat - Armênia)
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DEPOIS...
Quem virá, depois de mim,
Beijar-te os seios...
Quando tudo
Entre nós houver passado?
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Quem há de aquecer-te
O leito perfumado
E aplacar
Toda noite os teus anseios?
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Quem virá, depois de mim,
Beijar-te a boca...
Quando tudo
Entre nós for esquecido?
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E ao ver-te, assim,
De gozo quase louca...
Que Poema
Há de compor ao teu ouvido?
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( Erevan, capital da Armênia)



EQUIVALÊNCIA

Se em meus braços
Saciaste
Os teus desejos...

Os teus carinhos
Não me foram poucos!
Trago em meu corpo

As marcas
Dos teus beijos...

E em meus ouvidos
Teus gemidos roucos.

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Martinho Rodrigues, médico e poeta, é membro da SOBRAMES, tendo colaborado com alguns poemas na revista Literapia. Além de A Poética do Afeto, publicou como livro de estréia, Em Tempo de Poesia.
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Um comentário:

direitinho disse...

Bom dia
Obrigado por me dar possibilidade de descobrir esta maravila.
Que poemas lindos, a sua mensagem, parece que nos faz reviver e que todas as palavras são verdadeiros sentimentos.
Obrigado