terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Soneto com Estrambote Enviesado



Alfaiate de mim costuro a roupa
que cabe ao figurino que me coube.

Só meu verso protege essa amargura
desfiada de dia ao sol veloz,
para à noite tecer nova textura,
novelo de silêncio ao rés da voz.

Enxoval construído nessa usura
solitária de andaimes, num retrós
de linha vertical, que se pendura
na pênsil teia atada, fio em foz

desse rio agulha que me costura
ao rendilhado de águas tropicais,
que sabe de saudades no meu cais.

Viageiro de uma sanha que me traz
sempre de volta ao tear do meu destino
na seda depressiva me assassino.

Anibal Beça



* Imagem: O Poeta Viageiro - Gustave Moreau

3 comentários:

Luís Coelho disse...

Bom dia
Pela primeira vez este ano, passo por aqui e encontro poemas maravilhosos.
Não são de palavras fáceis nem de banalidades comuns.
A musicalidade e o eixo central dão-lhe algo mais que nos obriga a parar e pensar para descobrir esse fato que todos os dias alinhavamos para que à noite possamos olhá-lo sem medo nem vergonha.
Refiro-me ao primeiro poema de
Aníbal Beça

Desejo-vos um bom aano de 2011.

José María Souza Costa disse...

Parabens. um blogue belissimo com um poema Avassalador
Passei aqui lendo. Vim lhe desejar um Tempo Agradável, Harmonioso e com Sabedoria. Nenhuma pessoa indicou-me ou chamou-me aqui. Gostei do que vi e li. Por isso, estou lhe convidando a visitar o meu blog. Muito Simplório por sinal. Mas, dinâmico e autêntico. E se possivel, seguirmos juntos por eles. Estarei lá, muito grato esperando por você. Se tiveres tuiter, e desejar, é só deixar que agente segue.
Um abraço e fique com DEUS.

http://josemariacostaescreveu.blogspot.com

Tentativas Poemáticas disse...

Beijinho de Parabéns com desejos de muita felicidade.
António