quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

MALA COM ALÇA




É da lama essa mala que retiro
para subir a encosta (como a pedra
que Sisifo ainda empurra todo dia)
numa viagem cheia de seqüelas.

Não há como negar tantos espinhos
na travessia turva de mistérios
que vão-se descobrindo nos caminhos:
a mão negada, a fome, o vitupério,

o rito solidário que esquecemos
em troca a vaidade transitória.
Somos do barro e ao barro voltaremos.

A verdade do Homem e de sua Hora
vem com mala e alça, disto sabemos,
mais o peso do corpo e sua história.

Anibal Beça

2 comentários:

direitinho disse...

Bom dia Sylvia
Escolheu ultimamente poemas muito filosóficos.
Não se entendem logo com uma única leitura.
São autores desconhecidos para mim.

Anônimo disse...

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Jorge Aloy