segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Fumo

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Preservation of love
Yuroz
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Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu amor pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos...

Florbela Espanca
Livro de Sóror Saudade
(1923)
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Um comentário:

direitinho disse...

Todos os poemas de Florbela Espanca me enchem de dor e sentimento.
A poeta leva-nos a um mundo que viveu sem ter encontrado um pouco de felicidade.
A musicalidade das rimas e das palavras são encantadoras.
Parabéns pelas escolhas.

Os poemas laterais tambem tem uma vida própria, leve e ao mesmo tempo indefenida, aceitando-se na situação de desconforto e ausência