quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

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NOEL DE ARRIAGA
( Portugal - 1918 )
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Deslumbramento
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Quando num labirinto andei perdido,
labirinto de sonhos e esperanças,
uma voz segredava-me ao ouvido:
- "O amor é belo enquanto o não alcanças.
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Não tenhas pressa que depressa
cansas do que mais hás-de ter apetecido".
Receoso de colher desesperanças,
não tocava no fruto proibido.
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Porém quando a distância se faz perto,
tornando certo quanto fora incerto,
e a cingir-te em meus braços me disponho,
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quando da realidade me avizinho
e do sonho me afasto eu adivinho
que a realidade excede o próprio sonho!
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Circuito Fechado
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Já regressei da viagem
Que me deixou no peito
Estranha tatuagem.
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Marcada a ferro e fogo,
Mal que ma destinaram
Eu aceitei-a logo.
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É glorioso sentir
A carne trespassada
Sem Missão a cumprir.
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Sofrer só por sofrer,
Negando a covardia
Dum pretexto qualquer.

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Noel de Arriaga - Nasceu na Praia da Aguda, perto do Porto (Portugal),
tendo-se formado na Faculdade de Direito de Lisboa.

Tem-se dedicado à literatura infantil; e é especialista em problemas de turismo.

Publicou, entre outros, os seguintes livros de poesia:
"Barco sem leme", "A noite é cúmplice", "Pecados breves, breves recados",
"A canção que o vento me trouxe".
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2 comentários:

Efigênia Coutinho disse...

Bom dia estimada poeta, aqui estou novamente, pois ler Noel de Arriaga , e começar o dia poeticamente em sintonia. Quero fazer-lhe um convite para visitar o meu segundo espaço aqui, e deixo o Link.
Com admiração,
Efigênia Coutinho
http://efigeniacoutinhoamigospoetas.blogspot.com/

prafrente disse...

"o amor é belo enquanto o não alcanças..."
Muitas vezes é assim...passada a fase da dopamina, caímos "na real"...e não sabemos gerir os novos sentimentos.Amar exige entrega, esforço...porque nem sempre o sol brilha...

Beijos de Portugal